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Hidrossalpinge: saiba tudo sobre a doença

Como avaliamos as tubas uterinas quando há suspeita de infertilidade?

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A infertilidade conjugal é um fenômeno complexo e multifacetado, que pode ser atribuído a uma variedade de fatores, masculinos e femininos, isolados ou conjugados, e normalmente associados em alterações físicas ou funcionais dos órgãos reprodutivos – como as tubas uterinas.

Diversas são as condições que podem prejudicar o funcionamento das tubas uterinas, mas a maior parte delas leva à obstrução da passagem no interior desses ductos, perturbando a conexão entre os ovários e o útero, uma das principais funções tubárias.

Por isso, a avaliação diagnóstica precoce pode ser o diferencial entre a possibilidade ou não de reversão da infertilidade feminina por fator tubário, além de ser determinante mesmo para a escolha da técnica de reprodução assistida mais adequada, quando a indicação é feita.

Neste artigo, vamos falar mais sobre os exames que avaliam a saúde das tubas uterinas, suas funções na fertilidade e as possibilidades de tratamento para infertilidade por fator tubário, incluindo a reprodução assistida.

Entenda melhor o funcionamento das tubas uterinas

As tubas uterinas são estruturas bilaterais, ocas e em forma de tubo, que estão estrategicamente posicionadas nos flancos do útero, conectando este órgão aos ovários. A parede das tubas uterinas é formada principalmente por tecido muscular revestido por uma camada mucosa munida de micro-cílios.

O peristaltismo tubário – movimentos ondulatórios e coordenados das paredes das tubas uterinas, que movimenta o que está no lúmen desses ductos – é um fenômeno que resulta da contração do tecido muscular e é auxiliado pelos micro-cílios, ao passo que o ambiente ideal para a fecundação e acolhimento do embrião inicial, é proporcionado pela mucosa das tubas uterinas.

Assim, as tubas uterinas são responsáveis pela captação do óvulo liberado na ovulação; pela criação de um ambiente propício à fecundação; por receber os espermatozoides e sediar a própria fecundação; e, finalmente, por conduzir o embrião, em seus estágios primordiais de desenvolvimento, ao útero – órgão que abriga toda a gestação.

Quais alterações nas tubas podem causar infertilidade?

Considerando a importância das tubas uterinas para os processos que culminam em uma gestação, a infertilidade por fator tubário normalmente está associada a condições que provocam a obstrução desses ductos, impactando também, ainda que indiretamente, o pleno desempenho das funções ovarianas e uterinas. Entre as causas de obstrução tubária, destacamos a seguir as mais recorrentes:

No cenário das ISTs, essas infecções podem desencadear a inflamação das tubas uterinas, provocando edema – assim como a hidrossalpinge, que inclusive pode ser uma consequência da infecção por ISTs.

Já as cicatrizes tubárias são aderências que podem se formar como resultado de procedimentos cirúrgicos ou infecções passadas, mesmo já tratadas – e especialmente se o diagnóstico e o tratamento não foram precoces.

Dessas, no entanto, a endometriose pode ser uma das condições mais complexas. Quando os implantes de endometriose se instalam ao redor das tubas uterinas, o estímulo dos estrogênios provoca a inflamação desses focos, inflamando também as tubas e obstruindo o interior desses ductos.

Além disso, alterações tubárias aumentam o risco de gestação ectópica, quando a fecundação acontece e o embrião se forma, mas não consegue sair das tubas uterinas, realizando a implantação na mucosa desses tubos.

Essa situação é perigosa e, além de sempre provocar abortamento, a implantação ectópica pode levar à perda das tubas – o que causa infertilidade permanente – e, caso o atendimento não seja feito, também à morte.

A avaliação das tubas uterinas é essencial, quando há suspeita de infertilidade

A suspeita de infertilidade, mesmo na ausência de sintomas importantes, é levantada quando o casal está tentando engravidar há mais de um ano e não consegue. Nesse contexto, é importante que ambos os membros do casal passem pela investigação diagnóstica, realizada por uma bateria de exames.

Entre os exames específicos que avaliam a saúde das tubas uterinas, a histerossalpingografia se destaca por ser um dos mais acessíveis e assertivos ao mesmo tempo.

A histerossalpingografia é um exame radiológico especializado, realizado com a cavidade uterina e as tubas preenchidas por um contraste especial, para ressaltar o contorno dessas estruturas nas imagens obtidas ao final do procedimento.

Embora também seja um exame que permite a avaliação da cavidade uterina, a principal indicação da histerossalpingografia é a verificação da permeabilidade tubária – ou seja, se a passagem no interior das tubas uterinas está permeável ao óvulo, aos espermatozoides e ao embrião.

Esse exame é conhecido por seu desconforto, ainda que atualmente diversas técnicas sejam utilizadas para diminuir essa sensação.

Conheça os tratamentos mais promissores

As tubas uterinas são naturalmente estruturas mais delicadas e, por isso, mesmo algumas abordagens de tratamento podem ser arriscadas, como as intervenções cirúrgicas.

O tratamento medicamentoso é normalmente uma opção inicial e eficaz para abordar disfunções tubárias decorrentes de ISTs ativas, quando a administração de antibióticos e antivirais é fundamental para combater a infecção e preservar a saúde tecidual das tubas.

Além disso, o uso de anti-inflamatórios pode ajudar a reduzir as consequências de processos inflamatórios, enquanto medicamentos hormonais podem ser prescritos para o tratamento da endometriose.

Somente em situações mais complexas, nas quais aderências ou focos de endometriose comprometem significativamente as tubas, intervenções cirúrgicas podem ser necessárias para restaurar a integridade e a funcionalidade das tubas.

Como a reprodução assistida pode ajudar?

Mesmo no contexto da medicina reprodutiva, o fator tubário impõe limitações específicas nas opções de tratamento com as técnicas de reprodução assistida.

Nos casos em que as tubas estão comprometidas, técnicas como a IA (inseminação artificial), não podem ser indicadas porque assumem a permeabilidade normal das tubas uterinas, potencializando outras etapas da reprodução.

Assim, a FIV (fertilização in vitro) é a única opção em casos de infertilidade por fator tubário.

Essa técnica contorna a participação das tubas uterinas na reprodução ao permitir que a fertilização ocorra em laboratório, fora do corpo, com óvulos e espermatozoides coletados previamente – produzindo embriões que são cultivados e posteriormente transferidos diretamente para o útero.

Toque neste link e conheça outras causas e tratamentos da infertilidade feminina.

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