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As doenças estrogênio-dependentes ‒ como o mioma ‒ são agrupadas assim por duas características em comum: provocar o surgimento de massas celulares aderidas a estruturas da cavidade pélvica, e cujo crescimento e inflamação estão associados à atividade dos estrogênios.
O que diferencia essas doenças são os tipos celulares que compõem essas massas tumorais e os órgãos e estruturas nos quais os implantes e cistos podem estar aderidos.
Nesse sentido, o mioma uterino é como um nódulo, formado principalmente por tecido semelhante ao encontrado no miométrio ‒ um tecido muscular, mas mais fibroso ‒, que se desenvolve e invade outras camadas de tecido que compõem a parede uterina.
O mioma é classificado de acordo com a localização do tumor e a mulher pode apresentar sintomas diferentes de acordo com o tipo de mioma, com consequências mais ou menos severas, incluindo infertilidade feminina.
Além dos sintomas, a localização do mioma também é determinante na escolha da melhor técnica cirúrgica para realizar a miomectomia ‒ como chamamos o procedimento para retirada do mioma.
A histeroscopia é uma das técnicas que pode ser utilizada para a miomectomia, embora sua indicação nem sempre seja possível, estando restrita a alguns tipos específicos de miomas.
Neste texto vamos falar dos fatores que influenciam a escolha da histeroscopia como tratamento cirúrgico para mioma, mostrando mais detalhadamente quando a técnica é indicada para o tratamento da doença.
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O útero é um órgão localizado no centro da cavidade pélvica, e possui um formato semelhante a uma pera invertida. É oco e conectado ao canal vaginal, no colo do útero, e às tubas uterinas, no fundo do útero.
Justamente por ser oco, o útero é formado essencialmente por suas paredes, que por sua vez são compostas por três tecidos diferentes, organizados em camadas sequenciais: endométrio, miométrio e perimétrio.
Os sintomas e consequências de cada tipo de mioma estão diretamente associados às funções específicas dos tecidos que compõem essa parede uterina:
Independentemente da localização do mioma, esses tumores respondem à atividade dos estrogênios crescendo e tornando-se inflamados. Os sintomas e as consequências do mioma para a saúde reprodutiva da mulher são resultado das alterações provocadas principalmente pelo processo inflamatório.
Da mesma forma, as abordagens terapêuticas para o tratamento desses tumores, independente do tipo de mioma, podem ser medicamentosas ou cirúrgicas, dependendo da gravidade da doença e do desejo reprodutivo da mulher.
A histeroscopia, atualmente uma das metodologias utilizadas para tratamento de mioma, é um procedimento não invasivo que pode ser utilizado para fins diagnósticos, mas também como ferramenta de intervenção, em sua modalidade cirúrgica.
As diferenças entre o procedimento para fins cirúrgicos e diagnósticos são principalmente o tipo de anestesia utilizado e as possibilidades de intervenção no quadro encontrado. As duas formas de histeroscopia, porém, dispensam a realização de cortes para acessar a parede uterina, o que torna a indicação do procedimento mais abrangente.
Para a realização da histeroscopia, a mulher recebe a anestesia e permanece em posição ginecológica para a colocação do histeroscópio ‒ uma espécie de endoscópio adaptado para o canal vaginal e uterino ‒ e posteriormente a introdução dos instrumentos para manipulação da parede uterina.
O histeroscópio transmite, para um monitor externo, imagens em tempo real do interior da cavidade uterina, que guiam as intervenções nesses tecidos ao vivo.
Como não há necessidade de cortes e incisões para acessar a cavidade uterina, a recuperação dos procedimentos utilizando histeroscopia é mais rápida e menos dolorosa, se comparada a outras técnicas.
A histeroscopia é uma das técnicas que podem ser utilizadas para o tratamento de mioma. As vantagens da histeroscopia são grandes, especialmente porque a técnica dispensa cortes e incisões, porém a técnica não é indicada para todos os tipos de mioma.
O acesso ao útero através do canal vaginal é limitado por permitir a visualização e intervenção somente na camada mais superficial da parede uterina, que reveste esta estrutura, o endométrio.
Por isso, a histeroscopia é indicada para a retirada de mioma submucoso, oferecendo altas taxas de sucesso e recuperação da fertilidade, nestes casos, mas não para os demais tipos de miomas.
Os tipos de mioma que não podem ser retirados por histeroscopia ‒ mioma intramural e mioma subseroso ‒ normalmente recebem indicação para miomectomia por videolaparoscopia.
A videolaparoscopia é uma das técnicas mais utilizadas para cirurgias na cavidade abdominal e pélvica e, em relação aos procedimentos cirúrgicos abertos, é considerada minimamente invasiva, operando por orifícios no abdômen que permitem a introdução do equipamento de imagem.
O equipamento de imagem da videolaparoscopia tem a mesma função do histeroscópio: transmitir imagens em tempo real para um monitor e assim guiar as intervenções cirúrgicas.
A localização dos miomas intramural e subseroso, para os quais a técnica é indicada, favorece sua identificação e ressecção nesta metodologia cirúrgica, o que justifica a indicação da videolaparoscopia, nestes casos.
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